segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Das várias formas de morrer – a primeira lição


“... e então o homem sentiu necessidade de registrar aquilo que falava e surgiu a escrita”.

A explicação da professora penetrava em seus ouvidos como o relato de um crime. Afinal, desde criança obrigavam-na a respeitar um conjunto de desenhos negros sobre o papel branco e pautado, que rogavam chamar de alfabeto.

O que seriam as palavras escritas, se não armadilhas para o som que reinava pleno e livre na variação fascinante do boca a boca?

Mas, tal qual a vítima que se apaixona por seu algoz, gostava de escrever.

Já na adolescência, após um tsunami abruptamente lhe penetrar todos os poros da pele e inundar seu coração de felicidade, cogitou estar apaixonada. “eu você água”, escreveu – no mais sincero bilhete de sua vida – após vasculhar, inutilmente, décadas de palavras acumuladas em rígido sistema gramatical.

Sem sucesso na declaração, e sofrendo a angústia dos incompreendidos, percebeu a absoluta inutilidade – em sua vida – dos desenhos autoritários.

Queria falar sentimentos e escrever com o coração! Embora não tenha conseguido ir além deste post, com palavras escritas.

C.S.S., em crise mais uma vez

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